Sem inovação, Brasil corre risco de “apagão tecnológico”

Apagao Brasil

Para o diretor da PROTEC, Roberto Nicolsky, prioridades de órgãos do Governo são equivocadas: “Inovar não é fazer algo inédito, mas aperfeiçoar produtos, como fizeram Índia e Coréia”

Na última sexta-feira (05/06), durante o segundo dia do 2º Encontro Nacional da Inovação Tecnológica da Indústria Elétrica e Eletrônica (Enitee), realizado em São Paulo, o diretor geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC), Roberto Nicolsky, alertou que, se nada for feito, o Brasil corre o risco de sofrer um apagão tecnológico.

“O Ministro de Ciência e Tecnologia comemorou recentemente em artigo a quantidade de papers produzidos no Brasil como exemplo do sucesso do País. Mas quem come paper, quem é curado por paper?”, questionou o diretor da PROTEC. Para ele, a real dimensão do estágio de inovação do País é dada pela baixíssima produção de patentes.

Para demonstrar o desafio do Brasil nesta área, Nicolsky comparou a precisão e simplicidade da lei indiana de desenvolvimento tecnológico com a lei de inovação brasileira, esta complexa, repleta de incisos e que confunde os conceitos de ciência e tecnologia.

Além disso, ele afirmou que a encomenda tecnológica que está na Lei de Inovação não foi regulamentada. Da mesma forma, as compras governamentais que também estão na lei e não são utilizadas.

Ao fazer um panorama do fomento ao desenvolvimento tecnológico no Brasil, o diretor da PROTEC criticou os editais de subvenção da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que restringem a participação das empresas, priorizando mais a fronteira tecnológica. “Através de muitos pedidos feitos pela PROTEC, a Finep incluiu como critério no seu edital de 2009 a viabilidade comercial do projeto”.

Outro ponto destacado por Nicolsky foi o fato dos editais especificarem apenas 18 tópicos de projeto a serem submetidos para a análise. Para ele, a Finep criou a loteria federal da tecnologia. “Inovar não é fazer algo inédito, nem descobrir uma nova tecnologia. Países como a Coréia, China, Índia e Taiwan não lançaram nenhum produto novo; eles basearam seu crescimento no aperfeiçoamento de produtos”, concluiu.

Durante o evento, o diretor de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Nelson Luis Freire, afirmou que a entidade enviou à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) uma proposta de criação de uma norma para a inovação, visando à disseminação do tema nos moldes feitos com a qualidade, através do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP).

“Hoje, a ISO 9000 é conhecida por toda a sociedade. O tema da inovação também deve ser levado a um público maior”, disse. Segundo ele, a intenção da Abinee é a partir da norma criar o Selo da Empresa Inovadora.

O diretor ressaltou que a norma tem também como objetivo a diferenciação das empresas na participação em licitações nos órgãos governamentais e empresas de economia mista, além de promover a transparência nas análises dos processos de pleitos de concessão de incentivos à inovação.

Segundo ele, a norma contribuirá, ainda, para o melhor direcionamento dos investimentos na área. “0,9% do PIB de investimentos em P&D é muito pouco. Além disso, são mal investidos, pois não existe um planejamento maior”, completou.

O presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Complexo Eletroeletrônico e Tecnologia da Informação (IPD-Eletron), Fabián Yaksic, salientou que estão sendo feitas gestões junto à ABNT para acelerar a implementação da norma. “Estamos engajados para que saia o mais rápido possível”, disse.

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