Os que SUPERAM a crise com INOVAÇÃO

Quais são os setores da economia e quem são os profissionais que passam ao largo da crise e fazem o País crescer.sem crise 1

Faz sete meses que o mundo não é mais o mesmo. Uma reviravolta econômica derrubou as bolsas, fez o crédito sumir da praça e o emprego secar. A boa notícia é que o Brasil também não é como antes. Poderia estar mais uma vez de pires na mão no Fundo Monetário Internacional, mas não. Virou credor do FMI. Enquanto a recessão ainda bate forte no Primeiro Mundo, os últimos indicadores econômicos brasileiros são alentadores.

“O tombo maior já passou”, diz o economista Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os dados de emprego de fevereiro e março revelaram um saldo de contratações de 44 mil trabalhadores com carteira assinada. A indústria, que havia despencado em 20% no último trimestre do ano passado, cresceu 4,8% nos primeiros três meses deste ano.

“O mercado interno tem dado sinais de retomada, o que é fundamental para a nossa economia”, afirma o economista Milko Matijascic, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mesmo nos momentos mais agudos da crise, alguns segmentos e regiões do País mantiveram o crescimento e o emprego em alta. Agora, devem puxar a recuperação. ISTOÉ mapeou esses paraísos, onde a palavra oportunidade está na ordem do dia.

“Não sabemos o que é crise”, diz o carioca Alexandre Feder, 39 anos. Com um crescimento previsto de 35% para o ano, a empresa dele, a Sete Ondas, fatura R$ 2 milhões por mês cultivando algas marinhas e comercializando carragena, um derivado usado para encorpar alimentos. Administrador de empresas, Feder – junto com o sócio, o engenheiro Hugo Meirelles – atua em um segmento em franca expansão: a aquicultura.

sem crise 2Cultivar plantas e animais aquáticos, como camarão, ostra, peixe e rã, é uma ótima oportunidade de negócio porque a pesca está estagnada há 15 anos. O consumo, porém, só aumenta. A venda de pescados cresce 15% ao ano apenas em supermercados brasileiros. Sadia, Perdigão e Frangosul são alguns dos clientes do empresário, que colhe 1,2 mil toneladas de algas por ano na região da Ilha de Itacuruçá (RJ).

Com apenas dois anos no mercado, ele está prestes a montar outras unidades, no Ceará e no Espírito Santo. Contratou 19 pessoas nos últimos seis meses e planeja abrir mais vagas. No País, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, 1.455 técnicos em aquicultura entraram no mercado de trabalho formal desde outubro.

“Precisamos de mão de obra porque esse é um setor que cresce demais”, afirma o ministro Altemir Gregolin, da Secretaria de Aquicultura e Pesca. A média de crescimento mundial nesse segmento é de 8% ao ano. No Brasil, o índice sobe para 20%. Além do desempenho do emprego neste setor, ISTOÉ analisou o de outras 600 famílias ocupacionais em parceria com Zylberstajn, da Fipe, e constatou que o terreno também é fértil em áreas como fisioterapia, turismo e tecnologia da informação (TI).

Há anos em alta, os profissionais de TI são requisitados, na bonança econômica, para desenvolver novos mercados. Nos períodos de turbulência, para obter produtividade e competitividade. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Software e Serviços de TI, nos próximos dois anos, 120 mil vagas serão criadas no setor.

“Tecnologia da informação é o remédio que dá energia para as empresas prosseguirem com musculatura”, diz Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, polo de tecnologia situado no Recife, que fechou o ano passado com 200 vagas abertas. Sócio da M2M, o empresário pernambucano Carlos Moreira, 42 anos, contratou 15 funcionários nos últimos seis meses.

Ele atua no desenvolvimento e na implantação de sistemas de compras via internet e estima um aumento de 60% no faturamento neste ano. A M2M está instalada no Porto Digital e toca 12 projetos para governos estaduais. No setor privado, cuida de outros 40. Entre seus clientes estão Coca-Cola, Medial Saúde e Riachuelo.

O mais recente é o governo do Estado do Rio de Janeiro, para o qual será implantado um sistema de automação para reduzir custos no processo de aquisição de bens e serviços. Engenheiro de software, cujo salário no Porto varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil, Raphael Rabadan, 24 anos, foi um dos contratados pela M2M para trabalhar no projeto do Rio, previsto para durar dois anos. “Não me preocupo com desemprego”, diz ele.

De acordo com o Ministério do Trabalho, 6.378 analistas de sistemas foram contratados desde outubro.

Outra área que vai de vento em popa é o turismo. O dólar caro inibiu as viagens para o Exterior, mas graças ao mercado interno o setor cresceu 20% só no primeiro bimestre. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o aumento do número de eventos nas áreas médica e empresarial sustenta a decolagem das vendas.

Lourdes Fellini, 64 anos, dona da operadora porto-alegrense que leva seu sobrenome, estima um faturamento 10% maior para este ano. E fez cinco contratações desde janeiro. “Precisávamos nos estruturar para esse cenário”, diz ela, que conta com 18 funcionários. Somente naquele Estado, de acordo com o Ministério do Trabalho, 119 turismólogos entraram no mercado e o salário subiu, em média, 18%.

Contratar também é a palavra de ordem na Lumiar Health Care, empresa paulista do setor de saúde, que está à procura de fisioterapeutas. “Preenchemos nove vagas e temos mais três abertas”, diz a gerente comercial Laura Mingues, 29 anos, herdeira da Lumiar, uma das líderes de vendas de equipamento de ventilação mecânica.

As áreas comerciais de empresas ligadas à saúde são um novo campo para esses profissionais. Nelas, o valor do conhecimento dos fisioterapeutas é fundamental em palestras e negociações com clientes. A Lumiar vende cerca de duas mil peças por mês e prevê crescimento de 40% para este ano. Dos 197 funcionários da empresa, 64 foram admitidos desde outubro.

Um dos nove contratados pela Lumiar neste período é o paulista Handerson Brochi – um dos 723 fisioterapeutas que entraram no mercado de trabalho desde outubro. Brochi passou os últimos sete anos sem férias e décimo terceiro salário. Trabalhava com home care de domingo a domingo. Acordava às 6h para cuidar de 12 pacientes e no final do mês engordava a conta bancária em R$ 5 mil. Mas queria colocar em ordem a vida pessoal.

“Minha esposa queria ir ao shopping e ao cinema comigo, mas ficava sozinha no apartamento no fim de semana”, conta. Hoje, aos 30 anos, ele dá expediente de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Viaja com a esposa a cada dois fins de semana, visita mais os amigos e planeja um filho para o fim do ano. Ainda não tem o salário de antigamente. Mas está ganhando o que dinheiro algum pode mensurar: felicidade.

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