Jovens encontram apoio para projetos em incubadoras

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No Brasil, 25% dos empreendedores são jovens; incubadora é espaço para aprender a gerenciar um negócio

Brasília – Jovens antenados e que acreditaram nos projetos criados em plena faculdade a ponto de transformá-los em um negócio inovador. Assim podem ser apresentados os empreendedores Marcos Passos, 19 anos, e Frederico Biehl, 27 anos, que hoje têm empresas incubadas no Micro Distrito Industrial de Base Tecnológica (Midi Tecnológico), de Florianópolis (SC).

Eles são exemplos de jovens que têm aumentado sua participação na atividade empreendedora a cada ano, segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008. De acordo com a GEM, o Brasil alcançou o terceiro lugar no ranking mundial de países com grande número de jovens empreendedores. De todos os empresários do País, 25% são jovens. O Brasil fica apenas atrás do Irã (29%) e Jamaica (28%). São cerca de 3,82 milhões de jovens brasileiros à frente de negócios.

Marcos Passos é sócio e criador da Bookess, uma editora e biblioteca virtual. Nesse ambiente, o usuário pode criar o próprio livro. Lá também são encontradas obras de domínio público cujos direitos econômicos não são de exclusividade de nenhum indivíduo ou entidade. Por isso, é possível encontrar livros de Machado de Assis e de Antoine de Saint-Exupéry, como ‘O Pequeno Príncipe’.

Quando tinha 17 anos e entrou para a faculdade de Ciência da Computação, Marcos começou a desenvolver a Bookess. A idéia veio quando se programou para terminar de ler o livro ‘Fortaleza Digital’, durante uma viagem que fez. “Fiz tantos planos que acabei esquecendo o livro em casa. Aí percebi que se ele estivesse disponível na internet poderia lê-lo”, conta.

Solução

Esse problema acabou virando uma grande oportunidade. Marcos começou a trabalhar no desenvolvimento de uma ferramenta que possibilitasse a leitura de livros pela internet e foi além: criou também a função de biblioteca. O site Bookess foi lançado em abril do ano passado.

Na busca de aprimorar o serviço, em setembro do mesmo ano, ele enviou um plano de negócios para investidores. O processo, composto por um período de longa análise, entrevistas e testes, foi concluído no início deste ano, quando a Bookess conseguiu o aporte de capital.

O investimento trouxe muitas mudanças. Marcos mudou-se do Rio de Janeiro para Santa Catarina porque o contrato prevê que a empresa e o empreendedor devem estar num raio de 200 quilômetros do investidor. E, por isso, também teve que fazer transferência para outra faculdade.

Além disso, a empresa que já funcionava na incubadora MIDI Tecnológico, em Florianópolis, como incubada virtual, com menos benefícios, passou a ser incubada presencial. Isso trouxe além de mais benefícios, menos taxas. “Incubadora é um ambiente legal, rodeado de projetos inovadores. Estar em uma incubadora ajuda a empresa a se estruturar sem muitos gastos e também é aqui que temos acesso a uma série de serviços, como assessoria jurídica, assessoria de imprensa e de marketing”, destaca.

Nesse ambiente da incubadora, a cada dia o site Bookess é aprimorado. Já são três mil livros publicados. “As pessoas entram e enviam seus livros gratuitamente e é feita a publicação no site. Hoje, os três livros mais lidos ganham uma versão impressa. É a realização daqueles que sonham em ser escritores e não tiveram ainda uma oportunidade no mercado editorial”, ressalta. Quando um livro é publicado, não é apenas a impressão que o autor ganha, mas todo um processo para torná-lo oficialmente um autor no Brasil. A pessoa fica com registro no sistema internacional ISBN que identifica numericamente os livros segundo título, autor, país e editora.

Os serviços do site são totalmente gratuitos. Daqui a três meses, cada pessoa vai poder enviar o livro e recebê-lo impresso. Para isso, será cobrado apenas o custo de produção de um livro. O cálculo será feito em cima do número de páginas e pela impressão colorida ou preto e branco.

Para Marcos, o fato de ser jovem não gera preconceitos quando está à frente dos negócios. “Se às vezes a pouca idade pode parecer uma desvantagem na hora de conseguir investimento, é preciso buscar vantagens para suprir isso, como responsabilidade, idéia boa e original e a crença de que é possível concretizá-la”, diz. “O mercado sempre busca soluções para problemas antigos”, completa.

Na política

Frederico Biehl é outro exemplo. Seu negócio surgiu de um trabalho para a conclusão da graduação em 2005. A idéia veio do pai, que é político. “O objetivo era usar a tecnologia para atender ao cidadão, intensificando a interação do agente político com a sociedade”, explica. Trata-se de ferramenta on line que é usada pelos políticos, uma espécie de escritório virtual, para gerenciar informações no ambiente político. A ferramenta é chamada de Inteligência Política (Ipol).

Após o término da graduação, Frederico decidiu melhorar esse sistema para transformá-lo em produto. O site Ipol foi colocado no mercado em meados de 2007, quando a empresa Sintonia já estava incubada no Midi Tecnológico. Atualmente, 15 agentes políticos utilizam a ferramenta. Segundo ele, todo o crescimento que tiveram desde o lançamento do site vem do apoio da incubadora. “Não é em qualquer ambiente que você sai da sua sala e encontra um gênio na sala ao lado. Na incubadora, isso é possível. Já ocorreram várias situações em que o apoio de colegas ajudou muito. Apesar do foco dos negócios serem diferentes, estamos todos trabalhando com tecnologia”, destaca.

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