Pequena empresa se une para obter crédito

sociedades de garantia de crédito 1

Modelo europeu de sociedade de garantia começa a atrair empresários.

Um novo modelo criado para enfrentar uma das maiores dificuldades dos pequenos negócios – o crédito – tem ganhado força no Brasil nos últimos anos. Inspiradas em experiências na Itália e Espanha, as sociedades de garantia de crédito (SGC) visam ajudar micro e pequenas empresas (MPEs) a obter empréstimo no sistema bancário, por meio da concessão de garantias complementares. Pelo menos dezessete grupos de companhias, entidades empresariais e sindicatos estão se preparando para criar uma sociedades nesse moldes. Até o início do ano passado, apenas empresários da região da Serra Gaúcha haviam criado sua SGC.

O despertar das MPEs para esse mecanismo ocorreu a partir de uma chamada pública feita pelo Sebrae em março de 2008. Por meio dela, a entidade se comprometeu a investir R$ 30 milhões nos fundos dos projetos aprovados, além de dar apoio técnico e financeiro nos primeiros 30 meses de funcionamento da SGC. O fundo montado pela sociedade de garantia recebe ainda aporte dos próprios empresários, governo e entidades. Os recursos vão garantir até 130% do valor dos empréstimos concedidos às empresas associadas. “Se a companhia não pagar, a sociedade paga. Com isso, os bancos têm o risco mitigado”, diz o analista técnico do Sebrae Nacional, Roberto Marinho.

Uma das SGCs em processo de formação é a Noroeste Garantias, criada por empresários e lideranças da região de Maringá (PR). Segundo o presidente Ilson Rezende, após dois anos de discussões e sensibilização das empresas locais, a sociedade nasce nas próximas semanas com 20 associados e um fundo de R$ 500 mil, que pode ser alavancado em até cinco vezes. “A SGC vai dar chance a empresários que estão fora do sistema financeiro – e muitas vezes, se financiando por meio de cheque especial, fornecedores e até agiotas – a ter acesso ao crédito”, afirma.

A meta da Noroeste Garantias é ampliar o número de associados no próximo ano, aumentando o número de operações mensais de três para 20. “Podemos gerar algo em torno de R$ 10 milhões em cartas de garantias, em uma perspectiva ousada”, diz o empresário, cuja empresa de tecnologia de informação já faz parte do grupo. Não há restrição para participar do grupo, do qual fazem parte empresas de serviço, comércio e indústria. Para aderir, o empresário tem apenas de pagar uma taxa de adesão que varia entre R$ 700 e R$ 2,4 mil, de acordo com o tamanho da empresa.

Entre as instituições financeiras que firmaram convênio com a SGC de Maringá estão o Banco do Brasil, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a cooperativa de crédito Sicoob. Pelo menos por enquanto, o interesse dos bancos comerciais pelo sistema é pequeno. “Os bancos têm uma percepção de risco em relação às MPEs que não corresponde à realidade. Mecanismos alternativos de garantia, como as sociedades e o fundo de aval, podem mudar isso”, diz o diretor de administração e finanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos.

Além das garantias complementares, obter um empréstimo por meio de uma SGC pode resolver outro grave problema das MPEs no acesso ao crédito: os altos juros. No projeto GarantiSerra, em Caxias do Sul (RS), as empresas associadas conseguiram empréstimos “a níveis” muito abaixo dos de mercado, segundo o diretor executivo Fernando Vial. “Em nenhum lugar do Brasil uma pequena empresa consegue empréstimo para capital de giro a (taxa) TR + 1,55% ao mês”, afirma. Fundada em 2003, a organização pioneira tem hoje 362 companhias e já garantiu R$ 11,4 milhões em empréstimos.

 
Fonte: O Estado de SP

Opinião da Cysneiros Consultores:

Flammarion Cysneiros - CEO - ICOMUNI ConsultoriaPara Flammarion Cysneiros, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos da ICOMUNI Consultoria, esses novos modelos de garantia e concessão de crédito para pesso jurídica, assim como os  sustentados no pilar da economia solidária, têm dado resultados e no Brasil tem diversos cases de sucesso, tais como o Banco Palmas.  Esses modelso favorecem o desenvolvimento local e territorial e oferece menos riscos para os fornecedores e diminuem os juros dos concessores.

 

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