O mercado promete

computex taipei

Feira asiática de informática e telecomunicações reúne 100 mil visitantes e mostra por que o futuro pertence aos portáteis notebooks e netbooks.

Nos tempos de glória da Comdex e PC Expo, há quase 30 anos, em Taipei, China Insular (então conhecida por Formosa), surgia a Computex. No começo, era mais uma feira local sem grandes pretensões. Agora, na era da internet, poucas feiras mundiais sobreviveram.

Já não há mais Comdex ou PC Expo. Mas a Computex, em sua 29ª edição, continua firme e forte, e é hoje a segunda maior feira mundial de informática, superada apenas pela CeBIT de Hannover, Alemanha.

A Computex 2009 aconteceu de 1º a 6 de junho, em Taipei, Taiwan. É organizada pela associação local da indústria de informática, a TCA (Taipei Computers Association) e, ao longo dos anos, ganhou o apoio formal do governo local por meio de seu órgão de fomento do comércio exterior, Taitra (Taiwan External Trade Development Council), que acabou por tornar-se seu principal mentor.

Taipei 101 – Como sabemos, vivemos tempos de crise. E se tem um evento que é afetado por crises globais são feiras de negócios. Poisbem: enquanto em 2009 as grandes concorrentes (a citada CeBIT de Hannover e a CES realizada em Las Vegas, EUA) sofreram uma redução de quase 25%, a Computex, embora não crescendo como fazia nos últimos anos, ao menos não encolheu – o que já é uma vitória. O número de expositores foi de 1.712, apenas 1% menor que o do ano passado. Uma diferença que pode ser considerada desprezível face à conjuntura atual.

A feira ocupou 4.498 estandes, em cinco salões, em quatro diferentes pavilhões. Três deles junto ao Taipei 101, o prédio considerado o marco da cidade. O quarto, maior, com estandes distribuídos em dois salões, distava poucos quilômetros, no novo Centro de Exposições de Nangang.

Centro de Exposições de Nangang

Este ano, a feira contou com cerca de 100 mil participantes, dos quais 35 mil vieram do exterior. Os estandes foram distribuídos em 12 conjuntos temáticos, cada um situado em uma área delimitada de seu pavilhão, permitindo encontrar com facilidade qualquer estande.

Grande parte deles era de empresas locais, como Acer, Asus, Gigabyte, MSI, Transcend e Zyxel. O restante, de praticamente toda parte do mundo, como AMD, Hitachi, Intel Microsoft, NVidia e SanDisk. Havia até uma brasileira, a paranaense Bematech.

Além de seu estande, o único outro oriundo do Brasil era do escritório comercial brasileiro em Taipei (onde não podemos manter embaixada devido a questões ligadas à política internacional), capitaneado pelo bravo diplomata Sérgio Abi-Sad, Diretor do Brasil Business Center.

A Computex é, sobretudo, uma feira de negócios concebida para pôr em contato compradores e vendedores. E faz isso de forma altamente eficaz através do Procurement Match, um ambiente onde compradores e vendedores em potencial se encontram e fecham negócios, coordenado pelos organizadores da feira.

Eles instalam um centro de informações em que os compradores se registram e informam seus interesses ao lado de um salão, onde os vendedores previamente inscritos aguardam a visita. E a organização da Computex procura por interesses em comum e põe uns em contato com os outros.

Procurement Match

O ambiente é simples. Não há luxo. Tudo é feito de forma rápida e direta. Depois de registrados, os representantes dos vendedores aguardam sentados em uma área do salão.

No centro, uma representante dos organizadores convoca os participantes para cada reunião e anota em um quadro branco os que já foram convocados.

No restante do salão, há dezenas de mesas onde são feitos os contatos comerciais.

Um sistema simples, mas muito funcional. E quanto à feira propriamente dita? E os grandes lançamentos de novos produtos?

Bem, na era da internet não se deve esperar grandes lançamentos em feiras, como costumava ocorrer há um par de décadas. É certo que a Intel apresentou a nova família de processadores móveis de voltagem ultra baixa e anunciou o lançamento dos processadores Lynnfield e Clarksfield para o segundo semestre e o do Westmere (o primeiro da geração de 32nm) para o início do próximo. E a MS antecipou para este ano o lançamento do Windows 7, prometido para 2010. Fora isso, alguns lançamentos de produtos específicos aqui e ali, mas nada de retumbante.

Mas para nós, usuários domésticos e não diretamente interessados nos negócios fechados no evento, o que realmente justifica a visita a uma feira como a Computex é detectar as tendências do mercado, verificando em que produtos os fabricantes apostam suas fichas.

E a Computex 2009 não deixou dúvidas: o futuro pertence aos portáteis (notebooks), sobretudo a seus irmãos menores, concebidos para acesso sem fio à internet e conhecidos como netbooks. Fora isso – pelo menos no âmbito doméstico -, preparem-se para a substituição dos velhos desktops pelos novos computadores AIO, acrônimo de all in one (tudo em um, em inglês).

Um netbook já rodando Windows 7

No que toca aos portáteis, relatórios da indústria de informática dão conta que na segunda metade de 2008, pela primeira vez na história, suas vendas ultrapassaram as dos micros de mesa (desktops). E a tendência é que a diferença passe a aumentar rapidamente a favor dos portáteis, cujas vendas no terceiro trimestre de 2008 apresentaram um crescimento de 40% se comparadas ao mesmo trimestre do ano anterior, enquanto a dos micros de mesa apresentou uma redução de 1,3%. Já os AIO…

Mas, afinal, o que exatamente vem a ser um AIO? Bem, na verdade o AIO não chega a ser uma novidade extraordinária. Um computador “tudo em um” é aquele destinado ao trabalho (pouco) e entretenimento (muito).

Em resumo, é aquilo que na década passada era um “multimídia PC”. Ou melhor: é aquilo que, na década passada, gostaríamos que fosse um “multimídia PC” mas não era porque os custos das telas planas de qualidade e tamanho adequado eram inacessíveis, os microprocessadores ainda não tinham a capacidade suficiente para arcar coma demanda dos programas multimídia, os controladores de vídeo pareciam um brinquedo comparados com os de última geração e os programas voltados para o entretenimento nos PCs domésticos ainda davam seus primeiros passos.

Agora, com a queda dos preços e o aumento de tamanho e qualidade da imagem propiciados pelos novos controladores de vídeo e monitores LCD e com o aumento da capacidade e a redução dos preços das UCPs, tudo mudou. Hoje, há software dedicado ao entretenimento.

Diversos modelos de AIO PCs

Resultado: nasceram os micros “tudo em um”. Com eles se pode fazer tudo o que se faz com um micro doméstico. Mas seu desempenho reluz principalmente quando são usados como instrumento de entretenimento, ou seja, para exibir imagens e vídeo e reproduzir áudio.

Para confirmar que se trata mesmo de uma tendência, basta examinar a lista dos fabricantes que lançaram seus AIO nos últimos meses: Apple, HP, Sony, Dell, ASUSTeK, MSI, Lenovo, Shuttle e Acer.

Um PC AIO, embora não seja um portátil (embora mesmo um exame superficial revele que é um descendente direto deles), deve ser suficientemente leve e compacto para ser movido pela casa. O áudio excede em qualidade. Sua tela é necessariamente LCD, tipo largo (wide screen) de 20″ou mais com imagem de alta resolução (na casa dos 1.600x 900 pixels) e, preferivelmente, sensível ao toque.

Todos vêm com controle remoto, mas alguns nem ao menos oferecem teclado e mouse.

Os que oferecem dão preferência absoluta aos do tipo sem fio. O que reduz o PC AIO a uma única peça, tornando-o muito semelhante a um televisor doméstico moderno. E como um AIO PC ficará a maior parte do tempo na sala, os fabricantes capricharam no design.

Quanto ao software, as coisas ficaram bem mais fáceis na medida em que o hardware evoluiu para permitir algumas gracinhas, como arrastar imagens com a ponta dos dedos, usar dois dedos para aumentar o tamanho das janelas e coisas tais. Em suma: um AIO é um micro doméstico disfarçado de televisão. Quando você precisa rodar uma planilha, editar um texto ou navegar pela internet, basta tirar teclado e mouse da gaveta e pôr-se a trabalhar.

Quer ver o noticiário da TV ou um filme gravado em DVD no disco rígido do AIO?

Sem problema: pegue o controle remoto e divirta-se. Por enquanto, ao que parece, os dispositivos AIO são apenas uma tendência. Mas, a julgar pela relação dos fabricantes e, sobretudo, pela quantidade e diversidade de modelos que havia na Computex 2009, prepare-se: tudo indica que um dia você vai ter um.

Fonte: DP

Opinião da Cysneiros Consultores:

Flammarion Cysneiros - CEO - ICOMUNI ConsultoriaPara Flammarion Cysneiros, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos da ICOMUNI Consultoria, as tendências e inovação no setor de TI têm impactado cada vez mais nas balanças comerciais dos Países exportadores.

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