FINEP lançará nova edição do Prime até o final de 2010



 

A FINEP lançará, até o final de 2010, uma nova edição do Prime (Primeira Empresa Inovadora). Por meio de carta-convite serão selecionadas incubadoras que atuarão como operadoras descentralizadas em todo o País.

O  Prime entrou em operação no início de 2009 e seu objetivo é criar condições financeiras favoráveis para que um conjunto significativo de empresas nascentes de alto valor agregado possa consolidar com sucesso a fase inicial de desenvolvimento dos seus empreendimentos. O Programa é voltado ao apoio de empresas inovadoras de base tecnológica que tenham até dois anos e estejam formalmente legalizadas e vai financiar empreendimentos que se destaquem pelo caráter inovador de seus produtos ou serviços. Cada projeto selecionado vai receber, inicialmente, R$ 120 mil em recursos não reembolsáveis, que serão aplicados na estruturação de planos de negócios e no desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Em 2009, o Prime teve 3.154  empresas inscritas em todo o País, com um total de 16.116 postos de trabalho.  Foram selecionadas 17 incubadoras em nove estados, que atuaram como agentes operacionais descentralizados. Os três setores da economia mais presentes nas inscrições foram Informação e Comunicação (37,53%); Atividades Profissionais Científicas e Técnicas (19,48%); e Indústrias de Transformação (17,96%). Veja aqui mais detalhes de edição 2009 do Prime.

 

Fonte: Ministério da Cultura e Tecnologia

Análise do relatório do MCT (ano base 2009)


Informações detalhadas sobre a utilização dos Incentivos Fiscais à Inovação

 

No último dia 26 de novembro o Ministério de Ciência e Tecnologia (MTC) publicou o Relatório Anual de análise dos resultados da utilização dos Incentivos Fiscais à Inovação Tecnológica previstos no capítulo III da Lei 11.196/05 (Lei do Bem) para o ano de 2009. Neste relatório são também consolidados os dados referentes aos anos anteriores desde 2006, ano de início da vigência da Lei.

Ao todo, 635 formulários foram enviados, sendo que 542 empresas foram efetivamente beneficiadas pelos incentivos, totalizando uma renúncia fiscal de R$1,38 bilhão.

A seguir uma análise dos principais resultados apresentados pelo MCT.

No que diz respeito ao número de empresas cadastradas, houve crescimento aproximado de 15% no ano fiscal de 2009 em relação a 2008. Quando comparado ao índice de 2006, o aumento é de 488% (Gráfico 1).

Gráfico 1 

Gráfico 1

Número de empresas e benefícios por região

Desde o início da vigência da Lei do Bem, o destaque é para as regiões Sudeste e Sul. Em 2008 e 2009, elas apresentaram, respectivamente, aumentos de 20,46% e 18,56% no número de empresas beneficiadas (Gráfico 2).

Gráfico 2 

Gráfico 2

Entretanto, apesar do aumento do número de empresas, houve redução dos benefícios reais obtidos (Gráfico 3), o que impactou diretamente a renúncia fiscal total.

Gráfico 3 

Gráfico 3

Número de empresas e benefícios por setor

A despeito da redução do número de empresas beneficiárias nos setores de eletro-eletrônica, mecânica e transportes, e agroindústria, os demais setores apresentaram aumento significativo (Gráfico 4).

Gráfico 4 

Gráfico 4

Quando comparados a 2008, os benefícios reais obtidos em 2009 (Gráfico 5) indicam que:

  • Os setores têxtil e de papel e celulose conquistaram aumentos significativos, enquanto outros setores, como software, química e farmacêutica, apresentaram crescimento mais moderado.
  • Alguns setores, como telecomunicações, petroquímica, agroindústria e mecânica e transporte, registraram decréscimo acentuado nos benefícios, enquanto outros, como eletro-eletrônica, bens de consumo e alimentos, apresentaram redução mais discreta.

Conclusões

Apesar do aumento do número de empresas beneficiárias, houve diminuição no total dos benefícios utilizados, devido à redução dos dispêndios com P&D. De acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, essa queda é reflexo da crise econômica de 2009.

Também segundo o MCT, estima-se que as empresas beneficiárias da Lei do Bem se referem apenas a 14,5% das empresas que declararam realizar investimentos em P&D pela Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) 2008. Isso se deve a algumas restrições da própria legislação:

  • Apesar de auto-aplicável, a Lei demanda um grande nível de especialização na identificação das atividades enquadráveis e na apuração dos gastos, uma vez que os conceitos trazidos não são claros sobre quais atividades industriais se enquadram no benefício. Mesmo para empresas que possuem um P&D institucionalmente organizado, na prática, algumas atividades podem não ser beneficiáveis, enquanto outras, inclusive de outras áreas, poderiam ser incluídas no benefício.
  • A legislação restringe o uso do benefício por empresas que não são optantes pelo Lucro Real, além de exigir controles contábeis dos gastos de inovação.

No entanto, esforços vêm sendo aplicados no intuito de contribuir para a implementação e aperfeiçoamento da Lei de Inovação e da Lei do Bem, melhorando o entendimento e permitindo maior aplicabilidade das leis. Grupos de discussão governamentais e empresariais são um exemplo desses esforços.

Finalmente, o que se espera é que esses incentivos reflitam efetivamente um aumento de inovação tecnológica no setor privado brasileiro, fortalecendo ou, até mesmo, criando centros de pesquisas nas próprias empresas, bem como influenciando a decisão de multinacionais implantarem seus centros de P&D no país.

Sobre as autoras

Manuela de Melo Soares é sócia-fundadora da Incentivar Consultoria, empresa incorporada pelo Grupo Instituto Inovação, e que hoje é denominada Inventta. Na Inventta, consolidou a área de Recursos Financeiros para Inovação, na qual desempenha um papel importante de desenvolvimento de competências e metodologias. Atualmente é gestora de projetos de incentivos fiscais à inovação e fomento à inovação em empresas como Usiminas, Fiat Automóveis, Magneti Marelli, Teksid, CNH, Iveco, Scania, Natura, Fibria, Suzano, ArcelorMittal, Bunge, Sadia e Kraft Foods. Formou-se no Ibmec em Administração de Empresas. Antes de fundar a Incentivar, atuou na iniciativa privada em atividades como elaboração de plano de negócios, mapeamento de tecnologias e oportunidades e valoração de tecnologias. Atuou também na avaliação de tecnologias em programas governamentais junto a universidades.

Paloma de Alvarenga Côrtes é analista de inovação na Inventta, onde atua principalmente na área de Recursos Financeiros para Inovação. Formou-se na UFMG em Ciências Biológicas, é mestre em Patologia Geral pela mesma universidade e possui CBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec/MG. Possui experiência em diversos laboratórios de pesquisa da UFMG e também atuou na empresa Ecovec na implantação e acompanhamento de sistema de monitoramento do mosquito da dengue e no contato direto com clientes.

Fonte: Radar Inovação

Inovação aberta e em rede


Atualmente, um dos grandes desafios enfrentados pela AkzoNobel – líder mundial na indústria de tintas, revestimentos e outras especialidades químicas –, tem sido implementar um programa de inovação que envolva a empresa em uma rede, voltada para impulsionar o crescimento empresarial e aumentar a eficiência da inovação estratégica em diferentes unidades de negócio.

Com a aquisição da ICI e consequente integração entre as duas empresas, a necessidade de se criar uma metodologia padrão na AkzoNobel se tornou ainda maior. Os objetivos eram claros: capturar e aproveitar o conhecimento interno, otimizando o acesso tanto à rede de inovação existente quanto à vasta comunidade de inovação global.

Os líderes da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) estavam empenhados em encontrar formas mais eficazes de acessar as soluções desenvolvidas em diferentes segmentos e disseminar o conhecimento de profissionais espalhados pelos mais de 80 países onde a multinacional atua.

“A inovação é a alma da nossa empresa. Se não inovamos, não crescemos e nem sobrevivemos no mundo veloz de hoje, que tem um ambiente de negócios extremamente competitivo”, destaca Graeme Armstrong, diretor corporativo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) da AkzoNobel.

As unidades de negócio da empresa possuíam alinhamentos diferentes, de acordo com seus respectivos mercados, tornando fundamental a implementação de uma abordagem mais padronizada para compartilhar as competências internas que dão suporte ao processo de inovação.

A ideia da direção da AzkoNobel era implantar um processo em que as equipes de P&D&I fossem capazes de responder e enviar perguntas para os colegas de outras unidades, tornando a etapa um passo crítico no início do processo de inovação e desenvolvimento de produtos. Baseados nas respostas às perguntas feitas, os grupos saberiam se seria necessário procurar soluções na comunidade de inovação global.

“Estabelecemos a parceria com a NineSigma porque a empresa já fez a inovação aberta funcionar em organizações similares à nossa”, afirma Graeme Armstrong, diretor de P&D&I da AkzoNobel.

Devido a experiências e sucessos ocorridos no passado, as lideranças da AkzoNobel entraram em contato com a NineSigma – referência mundial em open innovation, representada na América Latina pela Inventta – para planejar e implementar um programa de inovação capaz de envolver toda a empresa em uma rede. Para a AkzoNobel, era essencial ter um parceiro experiente e com credibilidade suficiente para conduzir o programa.

“Estabelecemos a parceria com a NineSigma porque a empresa tem um histórico impressionante e já fez a inovação aberta funcionar em organizações similares à nossa”, ressalta Armstrong.

Metodologia e escopo de trabalho

Trabalhando em conjunto, as equipes da AkzoNobel e da NineSigma desenvolveram um programa multifacetado para enfrentar necessidades específicas, denominado AkzoNobel Networked Innovation (ANNI). O objetivo era melhorar significativamente a utilização de capacidades internas relacionadas a P&D&I em diferentes unidades de negócio, aprimorando e padronizando o acesso à comunidade global de inovação. Para atingir a meta, seria necessário promover mudanças culturais, além de desenvolver novas habilidades e sistemas.

Depois que os objetivos foram claramente definidos, a NineSigma ajudou a otimizar o processo de inovação da AkzoNobel. Tudo começou com o treinamento da equipe participante do ANNI, essencial para comunicar os objetivos do programa. Ao todo, mais de 60 profissionais, de diversos setores, foram capacitados.

A NineSigma também treinou e instruiu 18 colaboradores da AkzoNobel para atuarem como facilitadores internos, denominados ‘Campeões da Inovação em Rede’. Com base em uma metodologia criada pela NineSigma para identificar características de sucesso de um campeão, cada unidade de negócio indicou um ou dois representantes para integrar o time de facilitadores e coordenar as atividades do programa ANNI na sua área de atuação.

O grupo dos ‘Campeões na Inovação em Rede’ recebeu treinamento detalhado em seleção de problemas, comunicação e avaliação de respostas para que pudessem atuar junto aos gerentes de projeto em suas unidades de negócio, facilitando tanto a colaboração quanto o compartilhamento de problemas e soluções.

Além de um software para comunicar necessidades e coletar respostas, desenvolvido pela NineSigma, foram implantados sistemas para facilitar a identificação de problemas em diferentes unidades de negócio da AkzoNobel.

“Estamos começando a ver uma mudança real na cultura organizacional”, afirma Dick van Beelen, diretor de Open Innovation da AkzoNobel.

Para apoiar a continuidade do programa, a NineSigma estabeleceu um Escritório de Projetos (PMO) na empresa. Além disso, ofereceu treinamento e capacitação aos profissionais envolvidos, incluindo visitas a unidades, seminários online e participação nas reuniões de trabalho dos ‘Campeões da Inovação em Rede’.

Benefícios para a AkzoNobel

Líderes e participantes do ANNI reconhecem que o programa de inovação em rede tem dimensões significativas e deve surtir o impacto esperado na rotina e nos resultados da empresa. Em apenas um ano de trabalho, as lideranças da AkzoNobel já percebem mudanças na forma como as unidades de negócio interagem com o processo de inovação.

“Estamos começando a ver uma mudança real na cultura organizacional, uma vez que as equipes que lidam com inovação estão mais alinhadas entre si e começaram a aproveitar melhor os recursos disponíveis na empresa”, avalia avalia Dick van Beelen, diretor de Open Innovation e Comunidades de Prática da AzkoNobel.

“Atualmente, vivenciamos uma rotina de trabalho mais aberta. Há três anos, este tipo de abordagem era impensável”, diz Dick van Beelen, diretor de Open Innovation da AkzoNobel.

As bases do programa ANNI foram claramente estabelecidas. As equipes de P&D&I seguem padrões pré-estabelecidos para comunicar suas necessidades internamente e coletar respostas de outras unidades de negócio. Quando as soluções não são encontradas internamente, os gerentes de projeto podem acessar a rede de inovação global da NineSigma ou recorrer à rede de contatos da empresa, composta por fornecedores, universidades e consultores.

“Atualmente, vivenciamos uma rotina de trabalho mais aberta. Há três anos, este tipo de abordagem era impensável”, pondera van Beelen.

Próximos passos

Com a fase introdutória do programa quase concluída, a NineSigma e os participantes do ANNI trabalham ativamente para que as práticas de colaboração em rede sejam completamente incorporadas ao processo de inovação, nas unidades de negócio e na empresa como um todo.

A direção da AkzoNobel reconhece que incorporar a inovação em rede na cultura organizacional é um processo crítico, que requer atenção permanente e envolvimento de todos os níveis da empresa.

A fase final do programa será marcada pela entrega dos resultados para as unidades de negócio. A iniciativa já apresentou contribuições concretas por meio da colaboração entre profissionais de diferentes localidades e a expectativa é de que os resultados obtidos com o ANNI possam aumentar a competitividade da AkzoNobel e seu potencial de crescimento a longo prazo.

 

Fonte: Radar Inovação