A nova e difícil fronteira das empresas de TI

A consolidação do mercado de tecnologia da informação no País, que resultou na criação de várias gigantes locais com faturamento acima de R$ 1 bilhão, permitiu que empresas nacionais dessem nos últimos anos os primeiros passos rumo ao mercado internacional. Nesse cenário, as companhias especializadas em prestação de serviços concorrem com um sem-número de empresas indianas, enquanto as desenvolvedoras de soluções de hardware e software disputam com grupos internacionais como Microsoft e Oracle.

Em dezembro, a prestadora de serviços Stefanini adquiriu a americana TechTeam por US$ 94 milhões e tomou a dianteira da expansão internacional entre as companhias de TI brasileiras. Segundo o sócio-fundador da empresa, Marco Antonio Stefanini, o negócio ampliou a atuação da companhia de 17 para 27 países. O empresário espera que 40% do faturamento de R$ 1 bilhão previsto para este ano venha do exterior. Das receitas externas, a metade vem nos Estados Unidos.

Com 12 mil funcionários, um terço deles fora do País, a Stefanini ainda luta contra a falta de tradição no exterior – algo que os prestadores de serviço em TI indianos têm de sobra.

Para convencer grandes clientes a trocar a Índia pelo Brasil, o empresário investe na contratação de profissionais com perfil mais sênior e na oferta de serviços customizados às empresas. Outra estratégia é apostar nos mercados onde as indianas não têm a vantagem do idioma. “Eles são muito fortes nos países de língua inglesa”, explica.

Com a compra da TechTeam, a Stefanini também reforçou seu portfólio de clientes globais, uma poderosa carta de apresentação na hora de disputar novos negócios. “Temos hoje 30 clientes mundiais. Um dos mais recentes é a Johnson & Johnson, fechado há três meses”, conta o empresário. De acordo com Stefanini, o fato de o mercado internacional crescer abaixo da média brasileira também pode ser um celeiro de oportunidades: “A Stefanini ainda pode fazer aquisições no exterior, além de enxergar um crescimento orgânico significativo.”

Mercado interno. Enquanto a Stefanini navega o mercado externo a todo o vapor, outras companhias do setor testam a temperatura das águas internacionais, preocupadas em não negligenciar o Brasil em um momento de rápido crescimento interno. O diretor de fusões, aquisições e planejamento estratégico da Tivit, André Frederico, diz que a situação das prestadoras de serviço brasileiras é diferente da realidade indiana: “Aqui, o mercado interno é bastante atraente, enquanto lá o foco está muito mais no exterior.”

Por isso, a estratégia internacional da empresa ainda está restrita a duas filiais, nos Estados Unidos e na França. Essas duas operações atendem clientes de 16 países, mas a participação internacional na receita é pequena, de 10% do faturamento anual de R$ 1 bilhão. Apesar de estar atenta a negócios no exterior, a companhia diz que a prioridade ainda é aproveitar as oportunidades de aquisições no Brasil. “Existem diversas oportunidades para a Tivit adquirir uma tecnologia específica ou entrar em um segmento em que não atua. O mercado (brasileiro) ainda continua bastante pulverizado”, diz Frederico.

Serviços integrados. Conhecida principalmente pelas soluções e pela produção de equipamentos bancários e PCs, a Itautec também tem uma forte área de serviços, que movimenta mais de R$ 400 milhões por ano, ou cerca de 30% do faturamento total. De acordo com Silvio Passos, vice-presidente da área de serviços, embora a empresa tenda a vender um pacote de soluções – equipamentos, mais manutenção e consultoria -, as chances de expansão no exterior são maiores para a oferta isolada de serviços.

Segundo ele, ao contrário do hardware e do software, que podem ser fabricados em qualquer lugar e distribuídos para todo o mundo, o serviço exige maior conformidade com as especificidades locais. E é nesse aspecto que aumentam as chances das companhias brasileiras de concorrer com os rivais indianos. “A Índia avançou mais em serviços remotos, como call centers, e tem mão de obra qualificada e relativamente barata, além da vantagem em mercados de língua inglesa. Mas eles têm dificuldades em outros locais, o que pode ser uma oportunidade para o Brasil.”

Conhecida pelo desenvolvimento de soluções, a Totvs se prepara para dar passos mais firmes em direção ao mercado externo. Ao contrário das empresas de serviços, a companhia – um símbolo da consolidação do mercado de TI no País, tendo participado de 40 processos de fusões e aquisições nos últimos oito anos – tem o desafio de enfrentar a concorrência de pesos pesados como Microsoft e Oracle.

Segundo José Rogério Luiz, vice-presidente da Totvs, a empresa é a sétima maior produtora de software do mundo e tem faturamento superior a R$ 1 bilhão. A companhia tem subsidiárias na Argentina, México e em Portugal, que respondem por 5% de seu faturamento. Sem revelar detalhes, Luiz diz que a empresa pretende “botar uma energia mais forte” em sua atuação externa nos próximos dois anos. Ele adianta, porém, que a base da expansão será inicialmente o mercado latino-americano.

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