Da crise à oportunidade

Sérgio Lobo: transição do ramo automotivo para a promoção de evento

A história do Maranello é bem interessante”. A frase do empresário Sérgio Lobo cria expectativa no leitor e comprova a tese, segundo a qual todo empreendedor é especialista em transformar crise em oportunidade. Empresário do ramo automotivo há 20 anos, Sérgio teve que se virar nos 30 para não perder o negócio.
Em 2003, abriu o Maranello Auto Spar, empresa que ocupava boa posição no mercado. Dois anos depois, o gerente, o agente de publicidade e um cliente do Maranello se juntaram e abriram uma empresa no mesmo ramo. Pior que isso: abriram uma empresa maior, mais equipada e levaram boa parte dos funcionários. Para não ficar para trás, Sérgio buscou um diferencial.

“Disse: ‘vou montar uma sala de estar para os clientes'”. Esquematizou a ideia, chamou uma arquiteta amiga e juntos elaboraram o projeto. Começou a executar a obra e os amigos começaram a dar pitaco. “Rapaz, vai botar uma cerveijinha aqui, um refrigerante, não é?”. Sérgio pensou na proposta e procurousua amiga arquiteta. “Disse para ela: ‘eu preciso botar uma cerveja, um refrigerante’. Ela disse: ‘não boto não. Vou estragar meu projeto bacana. Vou botar frezzer aqui dentro? Boto não. E outra, quem vai servir essa cerveja? Vai ter um garçom, não vai?'”. Resumo da história, Sérgio convenceu a arquiteta, transferiu o setor administrativo para outra sala e os dois construiram um barzinho com direito a frezzer, a garçom e cerveja para receber os clientes. Problema resolvido. Pelo menos, era o que o empresário pensava.

“Quando montei o bar, os amigos começaram a dar pitaco novamente. ‘Mas você vai colocar um petisco, não é?’. Petisco não, para não sujar o bar. Mas uma castanha, um amendoin, quem sabe”. Para construir a cozinha, Sérgio transferiu o almoxarifado para outra sala. Toda vez que propunha uma intervenção no espaço, a arquiteta brigava. “Mas fazer o quê? A gente vai deixar de executar uma ideia, porque não a teve antes? Não”. Sérgio construiu a cozinha. Depois, vieram os amigos e deram mais um monte depitaco. “Porque você não coloca um almoço aqui? Veja bem, a gente almoça, deixa o carro aqui e você até pode abrir outro negócio”, disseram alguns colegas.

Sérgio nunca deixou de ouvir a clientela, mas não tinha espaço para as mesas. “Disse: só tem mais uma sala que é a minha”. E lá se foi a sala de Sérgio. “Incorporei a minha sala e abrimos um restaurante para 40 pessoas”, afirma. Sugeriram que procurasse o chef Artur Coelho, carioca que fez escola de gastronomia na Alemanha e pós-graduação na França, e estava em Natal há algum tempo. Artur conheceu o bistrô e elaborou um cardápio específico para o Maranello.

Transição

“As pessoas gostaram do bistrô e começaram a pedir para realizar aniversário, casamento aqui. Foi aí que entramos no ramo de eventos”, explica. Para realizar as festas, Sérgio movia portas e paredes de vidro. “Era um trabalho imenso”, relembra. Com o passar dos anos, a demanda aumentou ainda mais. “Aí eu disse: ‘não dá para continuar assim'”. E não deu. O Bistrô mudou de endereço em 2007. Hoje, ocupa um prédio a pouco mais de 100 metros do antigo.

Logo após a mudança, um cliente sugeriu entrar em sociedade. Sérgio cuidaria do bistrô e o colega, do auto spar. A sociedade durou pouco tempo e Sérgio acabou deixando o ramo automotivo. Mas não se arrepende. “Vi que era um ramo que tinha mais possibilidade de crescimento”. Para o empresário, a narrativa cronológica mostra que o sucesso do Maranello Bistrô foi casual. “As coisas foram acontecendo. Eu não disse ‘vou parar de fazer isso para fazer aquilo'”.

Atualmente, ele aluga o espaço para eventos fechados – desde churrasco a casamentos – e também realiza festas abertas ao público com apoio de Múcio Neto, sócio desde 2008. As festas voltadas para o público começaram em junho de 2008. “Na época, quase fico louco. Não tínhamos estrutura. Mas o negócio deu certo”. O projeto deu tão certo que a parceria permanece até hoje e as festas também. No final de 2008, a dupla começou a realizar festas fora do bistrô com capacidade para até 2,5 mil pessoas. “Acabouque deu muito certo e conseguimos fixar uma marca”.

Além do espaço, o Maranello, casa especializada em house (ritmo eletrônico) também organiza festas, disponibilizando som, iluminação, bufê, segurança, serviço de manobrista. “A gente pode cuidar de tudo, se o cliente quiser, tanto dentro daqui como fora”. Os preços dependem dos serviços requisitados e do número de convidados. Quem paga pelo bufê, por exemplo, não paga aluguel do espaço. O Maranello realiza de cinco a oito festas por mês – de 60 a 100 por ano. Um bom número para o que já foi uma sala de estar.

Fonte: Diário de Natal

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