Missão brasileira vai à China e à Finlândia por inovação empresarial


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza, entre 26 de maio e 6 de junho, a Missão Técnica e Empresarial 2014, com destino à China e à Finlândia. “O objetivo é fortalecer as relações entre os países na área de inovação, com foco no estabelecimento e gestão de parques tecnológicos e na criação de parcerias Brasil-China e Brasil-Finlândia entre empresas de base tecnológica”, explica o chefe da assessoria de Assuntos Internacionais do ministério, Franklin Silva Netto.

A iniciativa é promovida em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti).

Segundo Franklin, a missão irá propiciar discussões sobre os modelos de inovação nos países participantes, além de visitas a parques tecnológicas e incubadoras de empresas. Também será uma oportunidade para gerar negócios entre os empresários que têm a intenção de internacionalizar os seus negócios.”

“Para os formuladores de políticas públicas, dirigentes das entidades de apoio e fomento e gestores dos parques tecnológicos no Brasil a atividade facilitará a reflexão sobre os modelos de gestão dos sistemas de inovação para promover avanços tecnológicos no desenvolvimento de pesquisa e inovação, novos produtos e processos tecnológicos”, avalia Franklin.

A missão está aberta à participação e podem se inscrever dirigentes de parques tecnológicos e incubadoras de empresas associadas à Anprotec, dirigentes das agências de fomento do governo federal e ministérios, secretários estaduais de ciência e tecnologia; presidentes de Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) ou instituições equivalentes.

São 40 vagas disponíveis e é preciso preencher e enviar o formulário de inscrição disponível no endereçohttp://www.anprotec.org.br/Relata/Formulario%20Inscricao_Missao%20Internacional_2014.docx. O prazo para a apresentação de candidaturas termina às 18 horas do dia 15 de abril.

Os documentos devem ser enviados aos cuidados de Aksara Somchinda, pelo e-mail: aksara@anprotec.org.br. Confira o regulamento da Missão Técnica Empresarial 2014 no endereçohttp://www.anprotec.org.br/Relata/Lancamento_Missao%202014.pdf.

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FONTE: ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras)

 

Debate expõe potencial e desafios das compras públicas nos Brics


O potencial das compras públicas para impulsionar a atividade inovativa e os desafios para que isso aconteça foram discutidos em painel do Seminário Sistemas de Inovação e Desenvolvimento dos Brics, realizado no dia 25 de março. O brasileiro Luiz Martins, assessor da presidência da Finep/MCTI, coordenou a mesa, composta de pesquisadores dos outros países do bloco – Rússia, Índia, China e África do Sul.

Pontos em comum e particularidades despontaram nas apresentações dos participantes, que trataram de assuntos como legislação, objetivos e resultados. O evento, organizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), visa gerar subsídios para a Reunião de Cúpula dos Brics, que será realizada em julho, em Fortaleza.

O russo Stanislav Zaichenko destacou que, em países como o seu e a China, o Estado é um ator de peso no mercado e, com isso, tem grande alcance como impulsionador. Ele lembrou que a primeira lei federal para o tema em seu país não contemplava a intenção de inovar, mas que essa dimensão foi inserida no novo marco legal, em 2011, a partir das demandas de instituições de saúde, energia e defesa. No ano passado, complementou, nova legislação referente a contratações públicas se direcionou à inovação. “É um modelo mais flexível, em que, dependendo do órgão, o menor custo não é a prioridade”, descreveu.

Segundo Zaichenko, o investimento da maioria das empresas nessa frente se restringe a compra de novos equipamentos. Ele observou, ainda, que muitas vezes as medidas adotadas na Rússia podem ser entendidas como de caráter protecionista.

O indiano Keshab Das ressaltou o estímulo a pequenas e médias empresas nas compras do governo. Ele contou que o país tem tradição na prática desde o período colonial, e, depois de repensar parte desses investimentos pelo alto custo, estabeleceu em 2012 uma política nacional para essas aquisições. “Há uma lista como 358 itens – já foram 800 – que só podem ser produzidos por PMEs. Além disso, há cotas para apoiar a atividade econômica de castas e etnias marginalizadas”, explicou, ponderando que a informalidade impede que muitas delas acessem tais estímulos.

Para Das, uma maior articulação dos Brics para ampliar a participação na economia mundial exigiria esforços de integração e harmonização de procedimentos e regras relativas ao tema do painel, bem como transparência.

Em sua apresentação, o chinês Xielin Liu defendeu que o governo deve partilhar com as empresas o risco dos investimentos inovativos, assim como ajudar a consolidar áreas da economia. Segundo relatou, foi em 2006 que seu país combinou pela primeira vez os critérios de conteúdo nacional e inovação em compras públicas.

Liu citou casos que considera acertos e erros nesse sentido. Entre os primeiros, a transferência de tecnologia de grupos estrangeiros que participaram de obras de engenharia dos trens-bala. No outro grupo, tentativas de emplacar o software livre em produtos de informática. “Nem sempre é fácil distinguir política de compra de reserva de mercado, e os Estados Unidos e a Europa não gostam alguns procedimentos chineses”, comentou.

A debatedora da África do Sul, Erika Kraemer-Mbula, elencou a redistribuição de renda, a formatação de mercados e a proteção ao meio ambiente como objetivos para os quais os governos do seu país vêm usando a política de compras. À semelhança da Índia, existem ações afirmativas para apoiar o empreendedorismo entre a população negra e entre as mulheres.

“Uma das limitações é a falta de critérios para alinhar objetivos sociais e inovativos”, apontou. “Além disso, há um entendimento nas agências públicas de que inovar é uma atividade cara. Essas instituições têm aversão a riscos.” Ela acrescentou que os Brics poderiam mapear as atividades e setores com alto potencial inovador para promovê-los.

Também Luiz Martins, da Finep, enfatizou a importância de seletividade nas ações com esse fim. Ele lembrou que, no Brasil, as compras públicas movimentam cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Se o mundo não é plano e a história não acabou, o Estado tem um papel a desempenhar na inserção nacional na economia”, disse. “É preciso entender que o mercado global não é livre, e sim dominado por 500 a 600 empresas oligopólicas.”

Martins apontou entraves legais para a promoção da atividade inovativa, no caso brasileiro – em especial a chamada Lei das Licitações (8.666), de 1993. Na sua avaliação, o debate de hoje reforçou que não se pode tratar, nas regras de compras públicas, todos os materiais e insumos da mesma maneira.

“Na área de inovação, nem sempre o mais barato é melhor”, defendeu. “Se o governo dos Estados Unidos não comprasse 100% da produção de chips na década de 50, essa tecnologia não teria ido para a frente. Se fosse optar pelo mais barato, compraria transistores.”

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Debate expõe potencial e desafios das compras públicas
Luiz Martins, da Finep, coordenou a mesa do seminário em Brasília
FONTE: ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras)

Finep e Apex-Brasil se unem para aumentar competitividade das empresas


A Finep e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) assinaram, no dia 20 de março, minuta de acordo visando aumentar a produtividade da indústria nacional por meio do incentivo à inovação. O termo foi firmado na sede da Finep, no Rio de Janeiro, pelo presidente da financiadora, Glauco Arbix, e por Mauricio Borges, presidente da Apex-Brasil.

A parceria, na qual a Finep será o braço financeiro e de inovação enquanto a Apex-Brasil será o braço comercial, busca expandir as perspectivas em áreas-chave definidas pelo governo, como saúde, energia e petróleo e gás. “Há muito tempo as empresas brasileiras ficaram restritas a competir em território nacional. O objetivo é fazer com que elas evoluam para exportar com alto conteúdo tecnológico”, explica Glauco Arbix, ressaltando que a Finep deve aumentar em quase 60% a contratação de crédito voltado à inovação este ano. A projeção da financiadora é contratar R$ 10 bilhões em 2014, em comparação a R$ 6,4 bilhões em 2013.

Segundo Maurício Borges, o acordo vai fortalecer o país no cenário mundial. “As empresas brasileiras não são competitivas no mercado internacional sem inovação. Cerca de 90% das empresas que apoiamos têm necessidade ou já estão desenvolvendo inovações e tecnologias. Então existe demanda para essa união”, pontua Borges.

Apex-Brasil e Finep começaram uma aproximação em outubro do último ano. Com os programas e linhas de financiamento oferecidos pela Finep e os projetos da Apex-Brasil, as agências identificaram uma possível linha de atuação conjunta para impulsionar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional por meio do incentivo à inovação.

Na primeira quinzena de março, foram capacitados técnicos dos Núcleos Operacionais do PEIEX do Rio Grande do Sul, da Bahia e de Minas Gerais, nas diversas linhas de financiamento da Finep e nos seus programas e produtos. O PEIEX é o Projeto de Extensão Industrial Exportadora da Apex-Brasil, voltado para a melhoria da competitividade das empresas exportadoras. A ideia é que os técnicos possam multiplicar esse conhecimento em sua região e também para as empresas com perfil e projetos nas linhas de fomento da financiadora.

A Finep, por sua vez, irá interagir em projetos da Apex-Brasil na área de sustentabilidade e inovação, missões, e também das ações da área de investimentos. Os setores que deverão atrair mais interesse para a realização de ações em conjunto são petróleo e gás, plástico, bens de capital, aeroespacial e defesa, etanol, equipamentos médico, hospitalar e odontológico, biotecnologia, TICs e agronegócios.

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Maurício Borges e Glauco Arbix – Foto: João Luiz Ribeiro/Finep

FONTE: ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras)