Inovação na prática

Pesquisa revela melhores práticas de P&D

Felipe Scherer

Nos últimos dez anos tem o estudo Global Innovation 1000 analisa as empresas com os maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento no mundo. O relatório desse ano trouxe uma análise histórica da evolução das práticas e abordagens para maximizar o retorno dos investimentos.

Vejamos alguns resultados interessantes:

1. As empresas mais inovadoras não são as que mais investem em P&D – esse achado já vem se repetindo ao longo de muitos anos e reforça a importância da gestão do processo de inovação. Não há uma relação direta proporcional de investir mais e ser mais inovador. O que importa é a forma como a empresa configura estratégia, cultura, pessoas, ferramentas e combina com os necessários investimentos. Veja a comparação inovadores e a posição no ranking dos orçamentos de P&D:

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2. O crescimento da China como potencia para inovação – os investimentos das empresas chinesas cresceram 15 vezes nos últimos 10 anos. Na primeira lista dos 1000 maiores orçamentos havia apenas 8 empresas chinesas. Na última lista já são 114. Somente no ultimo ano os investimentos em P&D das empresas do país cresceu 46%. O país caminha para se tornar uma potencia em tecnologia e inovação, mudando um pouco a abordagem de apenas copiar ou realizar engenharia reversa.

 

3. Alocação dos investimentos deverá mudar nos próximos anos – as empresas pesquisas apontaram que pretendem mudar o perfil de alocação de recursos do portfólio, ampliando o investimento em projetos de inovação radical. Atualmente em media as empresas dividem da seguinte forma: 58% em projetos de inovação incremental, 28% em projetos incrementais e apenas 14% em projetos de inovação radical. Em 10 anos os entrevistados projetam investir menos em projetos incrementais e mais em substanciais e radicais.

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4. Os chamados need seekers desempenham melhor que os market readers e Technology Drivers – o estudo apontou que aquelas empresas que buscam o entendimento das necessidades reveladas e não reveladas dos consumidores e desenvolvem soluções para essas necessidades são aquelas que financeiramente tem os melhores resultados. Esse dado reforça a importância do uso de ferramentas e processo para poder fazer a correta leitura no momento adequado.

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Vejam mais dados nos vídeos abaixo:

Felipe Scherer

Você conhece o Failure Bingo para empreendedores?

Felipe Scherer

Thomas Oppong do site Alltop Startups consolidou em um ebook gratuito 50 histórias de fracassos de empreendedores. Nesse material os fundadores das empresas contam os motivos dos fracassos e os principais aprendizados vindos dessas experiências.

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Praticamente todas as empresas que hoje admiramos como inovadoras tem exemplos de fracassos ao longo de suas histórias. Desde startups até empresas estabelecidas seguem o mesmo caminho: falham, aprendem e persistem até atingir o sucesso. O Dodgeball, o Google Wave, Health, Buzz e outros tantos são exemplos de produtos lançados pela empresa e que não tiveram os resultados esperados.

Mark Zuckerberg do Facebook disse certa vez:

“Muitas empresas são organizadas de maneira que as pessoas julgam umas as outras por seus erros… Muitas empresas ficam tão preocupadas com a possibilidade de cometerem um erro que ficam com medo de arriscar.”

O site americano Innovation Leader resolveu entrar na onda do fracasso e desenvolveu o chamado Failure Bingo(Bingo do Fracasso). A brincadeira gira em torno de um tema que é muito falado por empreendedores de sucesso: o fracasso muitas vezes é o combustível para o sucesso.

No próximo evento de startups que reunir empreendedores de sucesso, leve a ferramenta e marque cada vez que algum dos tópicos for mencionado. Os criadores garantem que você irá ouvir diversas vezes as seguintes mensagens:

failure bingo

1. Celebre o fracasso.

2. A cultura corporativa deve permitir o fracasso, não punindo-o.

3. Thomas Edison: “Eu não falhei. Eu descobri 10.000 formas que nãofuncionam.”

4. Aprenda com o fracasso.

5. Alguém apresenta um exemplo concreto de como fracassou.

6. Falhe rápido e barato.

7. Remova os tabus sobre o fracasso.

8. Não tenha receio de falhar.

9. O fracasso é um legado.

Quem tiver interesse em baixar, o Failure Bingo está disponível no link:

http://www.innovationleader.com/wp-content/uploads/2014/10/Failure-Bingo-from-Innovation-Leader1.pdf

Felipe Scherer

15 programas de inovação para o setor público

Felipe Scherer

gov

Muitas pessoas ficaram interessadas no Report de Inovação no Setor Públicoque foi publicado há poucas semanas (http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/inovacao-na-pratica/2014/10/07/e-possivel-inovar-no-setor-publico/) e resolvi ampliar essa discussão e compartilhar uma série de iniciativas que estão acontecendo ao redor do mundo sobre o tema.

Abaixo listei uma série de organizações públicas e não governamentais de diferentes locais do mundo que estruturaram a inovação para ela prover diferentes tipos de resultados, seja novos serviços, melhorias na qualidade, reduções de custo ou eficiência na gestão dos recursos públicos.

Essas iniciativas estão alocadas em diferentes esferas dos governos: federal, estadual ou municipal. Temos muito o que aprender com várias delas.

1. Public Sector Innovation – Australia
http://innovation.govspace.gov.au/
Programa de inovação voltado para os servidores federais do governo da Austrália (Australian Public Service – APS). Disponibiliza um conjunto de ferramentas para serem utilizados nos diferentes departamentos e regiões do país. Além disso, promove eventos para disseminar a importância do tema no setor público e coordena uma rede de agentes públicos.

2. Futurs Publics – França
http://www.modernisation.gouv.fr/mots-cle/futurs-publics
Programa federal voltado para modernizar a atuação do serviço público na França. Lançado em 2013 promove o espírito de inovação nas organizações públicas através de seminários, metodologia, cooperação e projetos piloto de serviços inovadores.

3. Laboratorio de Innovacion Pública – Corfo – Chile
http://www.corfo.cl/sala-de-prensa/noticias/2014/septiembre-2014/14-instituciones-publicas-inician-programas-de-innovacion-para-mejorar-su-gestion-y-atencion-a-usuarios?CodTemplate=20120119160315
Criado recentemente pelo governo federal do Chile, o Laboratorio entrará em funcionamento no final deste ano e estará encarregado de conduzir e projetos inovadores que venham melhorar a produtividade e serviços públicos. É um espaço para promover a inovação dentro do setor público.

4. SF Mayor’s Office of Civic Innovation – San Francisco – Estados Unidos
http://innovatesf.com/
Conjunto de iniciativas da prefeitura de San Francisco para conectar a inovação com o serviço público. Projetos como ImproveSF, Mayor’s Innovation Roundtables, SF Open Law, Living Innovation Zone e outros visam criar o ecossistema para a inovação, melhorando serviços públicos e a atuação da prefeitura.

5. Centre for Public Service Innovation – África do Sul
http://www.cpsi.co.za/
Criado pelo governo federal do país africano, visa facilitar a geração de novas ideias permitindo que pilotos sejam realizados no âmbito da administração pública. Busca criar um cultura de inovação no setor público.

6. La 27e Region – França
http://blog.la27eregion.fr/-About-la-27e-Region-
Criada em 2008 é um ONG que visa apoiar os governos das regiões francesas a desenvolver experimentos inovadores nos serviços públicos prestados. Utiliza as técnicas de design, inovação social e ciência social para fazer a inovação acontecer no setor público.

7. Nesta – Reino Unido
http://www.nesta.org.uk/
Similar a La 27e Region, a Nesta é um organização sem fins lucrativos que apoia no desenvolvimento de inovações no setor público. Atua em parceria com o governo e parceiros privados.

8. New Urban Mechanics – Boston e Philadelphia – Estados Unidos
http://www.newurbanmechanics.org/
Iniciativa da prefeitura de Boston para trazer inovações tecnológicas para os serviços públicos. Atua como uma incubadora para conectar os órgãos públicos e empreendedores da região visando desenvolver pilotos de projetos inovadores.

9. Mind Lab – Dinamarca
http://mind-lab.dk/en/
Vinculado ao governo federal, o Mind Lab é uma unidade de desenvolvimento de projetos inovadores para melhorar os serviços públicos em parceria com a comunidade. Além dos programas possui também um espaço físico de criação e desenvolvimento de inovações.

10. PS21 Office – Singapura
http://www.psd.gov.sg/content/psd/en/aboutpsd/PS21.html
A agência visa criar o serviço público do século 21 no governo de Singapura. Funciona como um programa de ideias interno que busca envolver os servidores públicos.

11. Seoul Innovation Burea – Seoul – Coréia do Sul
http://theiteams.org/case-studies/seoul-innovation-bureau
Programa da cidade de Seoul busca aproximar os cidadãos do processo de inovação nos serviços públicos. Através da tecnologia busca insights, soluções de problemas e novas ideias para melhorar a vida da população.

12. Innovation Delivery Team – Chicago, Louisville, Memphis, Atlanta e Nova Orleans – Estados Unidos
http://www.bloomberg.org/program/government-innovation/innovation-delivery-teams/#overview
Programa financiado pela Bloomberg Philantropies apoia com recursos e metodologia cidades americanas para inovar e resolver os principais problemas locais.

13. iGov SP – São Paulo – Brasil
http://igovsp.net/sp/sobre/
A Rede Paulista de Inovação em Governo foca na melhoria dos serviços públicos e da gestão do estado de São Paulo. Através da gestão do conhecimento e inovação promove diferentes iniciativas para criar as condições para que a inovação ocorra nos órgão públicos estaduais.

14. GovLab
http://thegovlab.org/about/
O Governance Lab foi criado em 2012 pela Fundação MacArthur and Knight para repensar a forma de atuação dos governos. Além de pesquisa, comunicação e treinamento, busca ter um papel ativo na utilização da tecnologia para melhorar a vida dos cidadãos.

15. The Behavioural Insights Team – Reino Unido
http://www.behaviouralinsights.co.uk/about-us
O BIT é uma joint venture entre o governo do Reino Unido e a Nesta e visa utilizar a os insights comportamentais para gerar inovações sociais.

Você pode encontrar o Report de Gestão da Inovação no Setor Público nesse link.

Felipe Scherer

Grupo BB E MAPFRE inovam para atingir os não consumidores

Felipe Scherer

Essa semana o Grupo Segurador BB e Mapfre apresentou ao mercado sua nova proposta chamada Projeto Família Sempre Protegida (http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/seguro-de-residencia-passara-a-ser-vendido-ate-no-metro), uma iniciativa muito interessante que disponibiliza seguros em pontos de venda como vending machines (em metros e aeroportos) e em gôndolas de lojas de varejo e supermercados.

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Alguns pontos interessantes dessa iniciativa que valem ser ressaltados:

Não Consumo – segundo o Instituto de Pesquisa Datafolha, 95% das residências no Brasil não possuem seguro, 58% dos automóveis não têm proteção e 88% das pessoas não possuem seguro de vida. Buscar modelos de negócios alternativos como o esse visa justamente trazer para o mercado potenciais consumidores que hoje não o fazem por diferentes motivos (desconhecimento, custo, conveniência…). O produto desenvolvido visa justamente acessar uma grande parcela da população brasileira que ainda não tem a cultura do seguros.

Inovação em diferentes formas – Tradicionalmente o foco fica muito em cima do produto. O projeto Família Sempre Protegida do Grupo BB Mapfre trabalha diferentes dimensões do modelo de negócio como presença, relacionamento e até mesmo na experiência de consumo. Notadamente são as inovações que utilizam diferentes tipos aquelas que alcançam mais sucesso no mercado.

Mercados Regulados – A inovação em setores regulados traz desafios adicionais para os gestores dessas empresas. Apesar de maiores dificuldades não significa que não pode ser feito. Muitas vezes boas ideias deixam de ser testadas por questões que são mais paradigmas do que realidade.

Felipe Scherer

É possível inovar no setor público

A inovação vem ganhando cada vez mais espaço no setor público. Assim como esse tema se difundiu na iniciativa privada nos últimos dez anos, as instituições públicas e seus gestores também começam a enxergar as possibilidades decorrentes de uma abordagem estruturada de gestão da inovação.

Os desafios relacionados ao setor público são muitos. Dependendo da esfera e do objetivo do órgão em análise, as necessidades mudam. O combate a desigualdade, o excesso de burocracia, serviços ineficientes (em qualidade ou quantidade), o combate a corrupção ou mesmo a mudança das expectativas dos cidadãos quanto aos serviços prestados pressionam os governantes. Desafio existem quanto a políticas públicas referentes ao meio ambiente, criminalidade e desigualdade social.

Somado a isso a impossibilidade de aumento da carga tributária e a baixa motivação de colaboradores de boa parte dos órgãos públicos criam um contexto que precisa ser trabalhado de forma estruturada e proativa para mudar.

Recessões e crises requerem uma habilidade de todos os setores para buscar maior eficiência e alternativas para operarem em situações adversas. Afora isso, a crescente pressão por melhores serviços e o limite da capacidade das empresas em pagar mais impostos geram uma pressão para que o estado cumpra seu papel. Atualmente 40% de toda a riqueza produzida no país é gasta pelo setor público e se queremos realmente ampliar a qualidade e disponibilidade dos serviços públicos será necessário desenvolver inovações na forma como eles são entregues e executados.

A inovação no setor público requer uma abordagem diferente do setor privado. Até o momento pouco tem se falado de metodologia para abordá-la com as especificidades necessárias para sistematizar tais iniciativas. Nesse contexto surge a necessidade de ampliarmos a discussão sobre a gestão da inovação no setor publico.

Quem tiver mais interesse pode acessar um report com a metodologia do octógono da inovação do setor público no link abaixo:

http://cmp.innoscience.com.br/report-inovacao-setor-publico/

Por: Felipe Scherer

Fonte: Exame.com

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