Conheça a Tropos Lab, a empresa que mais acelerou startups no Brasil este ano

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A história do Tropos Lab – Laboratório de Negócios Inovadores está intimamente ligada a outras três histórias. Primeiramente, à trajetória da aceleradora Inventta, de quem é spin-off; depois, ao Instituto Inovação, uma outra aceleradora de negócios que deu origem à Inventta; e em seguida, ao percurso pessoal da psicóloga Renata Horta, 33, que participou ativamente da evolução dessas três empresas e que hoje coordena a Tropos Lab ao lado dos cofundadores Pedro Teixeira e Paulo Renato. Todas essas tramas têm um mesmo fio condutor: o acadêmico, neste caso a Universidade Federal de Minas Gerais.

A Tropos faz programas longos de aceleração, que podem durar até quatro meses, e chegou ao número recorde do país de 72 empresas aceleradas em 11 meses: foram 32 nacionalidades e mais de 200 empreendedores envolvidos.

“Criamos um processo que não se preocupa apenas com o negócio, mas também com o empreendedor. Nossas universidades não formam alunos para criar seus negócios, mas para serem empregados ou funcionários públicos. Vemos empresários cheios de vontade, mas sem saber o que fazer, para onde ir, como começar”

Isso ajuda a explicar a taxa de mortalidade das startups no Brasil, que gira em torno dos 90%: nossos empreendedores são tradicionalmente mal preparados para enfrentar as dificuldades do mercado. A Tropos Lab acredita que é necessário investir na formação deste empresário para que, mesmo se sua primeira empresa não der certo, ele crie ferramentas que o permitam ser capaz de voltar a empreender.

“Nosso processo de aceleração é um grande curso prático, através do seu caso específico, você aprende com a gente sobre fazer negócios”, conta Renata. Ela destaca as principais dificuldade do empreendedor de primeira viagem, atacadas pela Tropos:

Falta de foco

Dificuldade de elaborar e seguir uma estratégia

Dificuldade de comunicar a sua ideia

Lentidão e falta de acompanhamento dos contatos que faz

Problemas de comunicação entre os sócios

Entraves na negociação de parcerias

A receita da Tropos Lab vem dos cursos que eles ministram, com mensalidades fixas, e dos serviços de consultoria para empresas e governo. No momento, Renata busca um espaço físico que comporte todo o idealismo da empresa em uma academia. “Hoje, nosso espaço é a cidade. A depender do curso ou do serviço, nós encontramos uma locação legal que combine com o tema, com a demanda etc. Isso é o real significado de tropos”, diz ela.

 

SABER MUDAR DE DIREÇÃO NA VIDA

Do grego, a palavra tropos significa “mudar de direção a partir de um ponto”, pivotar, e também faz menção ao tropismo das plantas — a habilidade inteligente de buscar o sol com suas folhas, e a nutrição com suas raízes. Essencialmente, o que a Tropos faz, e ajuda o empreendedor a fazer, é buscar caminhos que não estão descritos.

É também algo que Renata, intuitivamente, fez em sua vida. Mais ou menos na metade do curso de Psicologia, ela descobriu sua grande vocação: queria mudar o mundo, e que queria conquistar este objetivo ajudando a cultura brasileira a se desenvolver. Renata é analista do comportamento – uma abordagem da psicologia que trata a mudança de comportamento humano de forma objetiva e pragmática – e viu que a maneira mais certeira de atingir sua meta seria por meio da educação.

Para complementar sua formação, fez um mestrado em cultura organizacional na faculdade de Administração de Empresas. Foi ali que entrou em contato com o mundo das startups e da inovação. Renata se aproximou de Felipe Matos, na época sócio do Instituto Inovação, e começou a trabalhar como consultora independente fazendo diagnósticos de cultura. “Nós procurávamos entender como um determinado grupo de pessoas se comporta enquanto grupo e como esse comportamento, essas práticas sociais, geram consequências tanto positivas quanto negativas para o negócio que estão executando”, conta Renata.

Na pesquisa de mestrado, ela inventaria a sua profissão. Decidiu estudar a inovação tecnológica como ferramenta para a criação de novos comportamentos e a mudança do mundo. Era o gancho perfeito com as motivações que a moviam desde o início da formação profissional. “Me apaixonei pelo tema. Meu trabalho no Instituto Inovação apresentou resultados muito bacanas e fui convidada a fazer parte da empresa. Começamos a criar a área de educação e cultura para inovação, isto é, a mudar a mentalidade de grandes empresas ou universidades para que se tornem mais inovadoras”, diz.

Renata embarcava, em 2010, em um grande desafio profissional e pessoal. A partir do diagnóstico de cultura que realizava, fazia intervenções com grupos de funcionários das empresas – desde o operacional até os seus dirigentes. A Fiat Powertrain Technologies, divisão do Grupo Fiat especializada em montar motores de transmissão para os automóveis, e a Saint-Gobain Abrasivos foram empresas que receberam projetos de sua autoria.

Eles faziam workshops para as pessoas entenderem o que era inovação. Os cursos podiam ser mais técnicos ou mais comportamentais, e as atividades simulam o processo de inovação a pessoa entender que comportamentos deve ter em cada etapa do procedimento. “Certa vez, no final de uma atividade, um advogado falou: gente, mas eu estou fazendo tudo errado desde os 10 anos de idade!”, conta, aos risos.

Os resultados vieram rápido, e as mudanças chegavam a olhos vistos: este advogado, por exemplo, se tornou um grande parceiro de negócios da Fiat Powertrain. “Inovação é um processo que envolve risco e o profissional de Direito sempre visa reduzir o risco. Quando a inovação vem de um fornecedor, a probabilidade de ser barrada na área jurídica da empresa é altíssima. Então, é importante que esses profissionais entendam e tenham um olhar diferente para isso”, diz Renata.

Um outro momento importante da trajetória de Renata antes da Tropos Lab foi trabalhar no Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-Graduação, uma parceria com o governo estadual. O objetivo era desenvolver a cultura do empreendedorismo em cursos de mestrado e doutorado em química, física e biologia, estimulando pesquisadores a elaborarem planos de inovação. O programa aqueceu o ambiente das incubadoras universitárias e teve etapas regionais em todas as universidades mineiras.

“Trabalhar no ambiente de incubadoras universitárias me ajudou a fazer o que eu queria lá atrás: mudar a realidade em um meio maior, saindo um pouco do ambiente da grande empresa. Isso foi essencial para elaborarmos o que seria a base do Tropos Lab: trabalhar mais diretamente com pessoas físicas”, diz ela.

A área de educação e cultura para a inovação se tornou uma nova unidade de negócios do Instituto Inovação. “Todas essas experiências são um legado do Tropos. Desde novembro de 2013, somos três sócios gerindo uma equipe de dez pessoas, criando cursos para promover aceleração de startups”, diz Renata.

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CURSO ATÉ DENTRO DE VAN

Renata e sua equipe já realizaram rodas de inovação em que levavam os participantes para conhecer empresas de base tecnológica e investidores ao redor de Belo Horizonte — este curso acontecia dentro de uma van. Também já fizeram cursos no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, aproveitando um dos maiores atrativos turísticos da região. A Tropos também promove as Rotas de Inovação, circuitos de visita ao acervo botânico e artístico do Instituto Inhotim que permitem refletir e inspirar em uma mistura de arte, inovação, beleza e propósito. Renata está contente com os resultados da Tropos Lab, mas reconhece algumas dificuldades que se mostram evidentes ao seu negócio, como a dificuldade em comunicar o valor do que fazem e atrair investimentos.

“Ainda é complicado dimensionar os resultados de mudança comportamental ou cultural dos empreendedores e empresas que atendemos. Tenho dificuldade de encontrar os indicadores certos medir isso. Os resultados do nosso trabalho podem demorar a vir porque é preciso muito tempo para que se transformem em dados mais tangíveis”, conta.

Apesar disso, Renata tem recebido novas demandas a partir da indicação de empreendedores que já foram atendidos pela aceleradora, o que prova que o nível de satisfação com o serviço é alto. Dessa forma, a Tropos Lab está elaborando programas de aceleração em cidades nas regiões norte, sul e sudeste do Brasil, além do interior de Minas Gerais. A própria rede alimenta o negócio, que por enquanto ocupa um escritório no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte.

“Além do trabalho em si, temos pesquisado muito sobre o comportamento do empreendedor e gerado muito conhecimento, então em breve queremos compartilhar isso com o mercado. Logo teremos novidades sendo publicadas pela Tropos”, diz a mineira de riso fácil e grandes sonhos, que desde a época da faculdade costumam se tornar realidade.

 

Fonte: Inventta

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