Projeto do BID apoia o desenvolvimento regional


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Banco Interamericano de Desenvolvimento concederá US$ 6,5 milhões para financiar inovação em PMEs. Objetivo é incentivar o fortalecimento dos APLs

O Brasil pode avançar na consolidação de agências de desenvolvimento territorial. Dois exemplos já estão em prática, operados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com financiamentos e consultorias para cadeias produtivas e Arranjos Produtivos Locais (APL).

No primeiro exemplo, o BID atua no Programa Desenvolvimento Territorial, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e a participação de empresas, governos e instituições acadêmicas do Espírito Santo, Acre, Goiás e Pernambuco. São US$ 6,5 milhões para financiar assistência técnica, capacitação e adoção de iniciativas inovadoras nos setores de rochas, madeira, automotivo e no complexo industrial de Suape, em Pernambuco.

No segundo exemplo, o Banco firmou parceria com São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Paraná. Cada Estado receberá US$ 10 milhões para investir em secretarias de estado ou agências públicas por meio de convênios com Federações de Indústria e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O gerente de cooperação internacional da CNI, Renato Caporali, sugere o conceito de pactos de trabalho para explicar a evolução do programa de Desenvolvimento Territorial.

“Nós devemos ver o conceito de agência de desenvolvimento territorial como uma possibilidade, como uma necessidade longo prazo”, disse Caporali, “mas que, a curto prazo, enfrentará muitas dificuldades até avançar mais densamente. Talvez a agência de desenvolvimento territorial seja no Brasil um concerto entre as instituições, de pactos de trabalho.”

Gabriel Casaburi, especialista em setor privado do BID, entende que a articulação das lideranças setoriais contribui efetivamente para o desenvolvimento de APLs.

“Grande parte do sucesso desse tipo de programa , explicou Casaburi, “é a participação dos empresários desde o começo da ação. Quando o programa chega a um território é sempre importante que a Federação de Indústria já tenha feito algum trabalho. A percepção da apresentação do programa é sempre melhor porque é acompanhada de um trabalho feito antes pelas federações. Acho relevante porque isso, de fato, garante a participação dos empresários.”

O programa Desenvolvimento Territorial concentra-se nas pequenas e médias empresas. Manuel Pacheco, do BID, destaca a importância dos executores no processo. “Eles são a chave”, disse Pacheco. “Eles conseguem explicar, tanto para o setor privado quanto para o setor público, os benefícios desse tipo de programa.”

Em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos (FOMIN), vinculado ao BID, a Confederação Nacional da Indústria promoveu o Curso sobre Desenvolvimento Econômico Territorial. De 16 a 18 de junho, na sede da CNI, em Brasília, especialistas internacionais qualificaram executores que atuarão em cadeias ou arranjos produtivos locais.

Na opinião de Caporali, a qualificação de executores é um trabalho precursor, com visão de futuro. “Há o entendimento na CNI”, disse Caporali, “que a melhor contribuição do setor industrial para a geração de emprego no país é o desenvolvimento de sua competência. Por isso, entidades como Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) dedicam tanto esforço e recursos à capacitação, ao aprimoramento da mão de obra e à qualidade das relações de trabalho. Reconhecemo-nos perfeitamente nessas agendas.”

Um dos itens prioritários no mapa Estratégico da Indústria (2007-2015), elaborado pela CNI, é a expansão da base industrial com suporte às cadeias produtivas e aos arranjos produtivos locais.

Fonte: CNI

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Entidade Tecnológica Setorial é exemplo de apoio à inovação


IBTeC calçados

Saiba como o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), integrante da RETS, contribui para o desenvolvimento tecnológico das empresas do setor.

O Brasil se firmou no mercado internacional coureiro-calçadista como um dos maiores exportadores de calçados do mundo. Mesmo com a crise financeira internacional, o cenário para o setor é positivo, graças ao mercado interno, que se mantém aquecido, e ao câmbio favorável às exportações. Para se ter uma ideia, só em 2008, as exportações do setor atingiram US$1,08 bilhão, um aumento de 13,16% em comparação ao valor acumulado no ano de 2007. Mas a evolução do setor não aconteceu da noite para o dia. Desde a década de 1970, a indústria coureiro-calçadista do País tem o apoio do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), que faz parte da Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais (RETS).

“O IBTeC faz parte da história do setor e, apesar de todas as dificuldades, hoje o Brasil é o maior produtor e exportador de calçados do Ocidente. O instituto promove a competitividade das empresas associadas e do setor como um todo através da inovação de produtos, processos e serviços”, afirma Sérgio Knorr Velho, gestor do Comitê Brasileiro de Couro, Calçados e Artefatos de Couro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CB-11/ABNT) e ex-vice-presidente de Inovação Tecnológica do IBTeC.

O instituto, que tem sede em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, surgiu em 1972 para suprir a necessidade de qualificação dos produtos nacionais para exportação, e desde então é peça fundamental no desenvolvimento do setor. “Diversos fabricantes brasileiros utilizam os laboratórios e as tecnologias geradas pelo IBTeC para medir o desempenho de seus produtos, sejam calçados ou componentes, durante seu desenvolvimento ou na fase de produção”, explica Knorr.

IBTeC

Atuação do IBTeC

A abrangência da ação do IBTeC é possível graças à divisão do instituto em diversas áreas, que atuam em cada etapa da cadeia coureiro-calçadista, do desenvolvimento do produto à sua comercialização. Além dos serviços técnicos, como testes laboratoriais de qualidade e de biomecânica, e do apoio ao desenvolvimento de produtos, o instituto organiza eventos setoriais e produz publicações como a Revista Tecnicouro e a Cartilha do Calçado.

O instituto possui um Núcleo de Controle da Qualidade, que abriga os laboratórios Físico-Mecânico e de Substâncias Restritivas; e o Núcleo de Relacionamento do Mercado, que publica a Revista Tecnicouro, organiza feiras, congressos e eventos – como o Projeto Passo-a-Passo e as Jornadas Técnicas – e fornece treinamento através da Cartilha do Calçado e dos Projetos Especiais e uma consultoria industrial.

Faz parte também do instituto o Centro Brasileiro de Engenharia do Calçado (Cebec), que abriga os laboratórios de biomecânica do calçado, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e design. “Além disso, o IBTeC tem diversos acordos de cooperação e parcerias com universidades e institutos de pesquisa nacionais e internacionais – como por exemplo o  Satra Technology Center, da Inglaterra – e certificações do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e da Rede Metrológica do Rio Grande do Sul. Essa cooperação é necessária para a troca de informações e para a realização de projetos e pesquisas em conjunto”, ressalta Knorr.

Atendimento ao setor produtivo

Uma das empresas que utiliza os serviços do IBTeC é a Kidy, fabricante de calçados infantis de Birigüi, no interior de São Paulo. Toda a linha de produtos, voltada para crianças de 0 a 12 anos, é testada e certificada pelo instituto, que verifica a adequação a padrões de saúde e conforto. “Todos os nossos produtos são desenvolvidos em parceria com o IBTeC. Um dos projetos de maior sucesso que tivemos com essa parceria foi o Stick, um tênis que aumenta de tamanho e acompanha o crescimento do pé infantil”, explica Pollyana Adonis, supervisora de marketing da empresa.

A empresa, que possui um departamento interno de pesquisa e investe 10% de seu faturamento no desenvolvimento de novas tecnologias, tem como lema a inovação constante em seus produtos. “Oferecer qualidade e conforto é uma obrigação, por isso nos empenhamos em inovar para atingir este objetivo”, afirma Pollyana.

A parceria com o IBTeC é um dos motivos do sucesso da Kidy e do setor calçadista brasileiro como um todo, acredita Pollyana. “A atuação do instituto é muito importante, porque incentiva a criação de produtos cada vez mais confortáveis e seguros para os pequenos pés em formação. A troca de experiências com o IBTeC e o auxilio no desenvolvimento de produtos contribui muito para o crescimento e para a profissionalização do setor no País”.

“Em um primeiro momento, o IBTeC atua garantindo a qualidade dos produtos exportados pelo Brasil, qualidade que é reconhecida em todo o mundo, pois exportamos calçados para vários países em todos os continentes, inclusive para a China. O instituto também trabalha na quantificação do conforto – somos o único país a possuir normas técnicas de conforto em calçados. Um terceiro momento está vindo com força, que é o de qualificação, quantificação e minimização de substâncias restritivas e poluidoras persistentes nos produtos, o que permite atestar uma produção ecologicamente correta, que não causa danos à saúde dos usuários”, explica Sérgio Knorr.

A preocupação de fabricar produtos menos poluentes já chegou à Kidy. “Já adotamos práticas de reciclagem na produção. Um exemplo é a TR (borracha termoplástica de estireno/butadieno), que é utilizada na sola e tem todas as sobras recicladas e aplicadas em novos solados. Além disso, trabalharmos o lado ecológico, utilizando uma cola à base de água em nossos produtos”, detalha Pollyana.

Micro e pequenas empresas

O atendimento às demandas de micro e pequenas empresas, que são maioria no setor coureiro-calçadista, é uma das maiores preocupações do IBTeC. “O setor é fortemente baseado em MPEs, mas o instituto atende a todos os tipos e tamanhos de empresas”, afirma Sérgio Knorr. “O IBTeC possui um vasto leque de serviços, que vai desde a Cartilha do Calçado, que fornece suporte aos lojistas a venderem com mais qualidade o produto, até a assessoria técnica de incremento de produtividade de uma micro empresa”.

Segundo Knorr, as principais demandas das MPEs são o auxílio à realização de ensaios técnicos e a disponibilização de consultorias especializadas em certificação de conforto do calçados. “A aprovação de projetos junto à Finep (Financiadora de Projetos e Estudos) depende da certificação”, explica.

RETS

Apesar de ser um dos setores mais bem-sucedidos da economia brasileira, a indústria coureiro-calçadista ainda tem pouco apoio do governo federal. “Podemos melhorar muito se tivermos eqüidade de competição com os países asiáticos e maior apoio do Governo para inovar. A inovação tecnológica é a sustentação da empresa no mercado e isso já foi entendido pelos empresários”, acredita Sérgio Knorr.

Para reivindicar ações do Governo, Knorr confia na ação centralizadora da Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais. “O instituto participa da RETS e acredita em seu papel articulador, pois juntas nossas vozes ficam mais fortes. Apesar de gerar centenas de milhares de empregos, o setor coureiro-calçadista tem baixa inserção tecnológica e pouco suporte governamental para evoluir. Para que o setor melhore, temos que nos articular”, defende.

A falta de suporte do governo federal não desanima Knorr, que acredita na capacidade do IBTeC de suprir as demandas do setor. “Repito sempre as palavras de um ex-presidente do instituto: o IBTeC é a NASA (agência espacial americana) do couro, calçados e artefatos brasileiro”, conclui.

(Fonte: Juliana Alvim para Protec Notícias)